Alguma conciliação com a burguesia é possível?

 

A esperança em uma conciliação com a burguesia: ingenuidade ou desonestidade intelectual?

 

Para que possamos saber se alguma conciliação com a classe dominante brasileira é possível, é importante conhecer o caráter da burguesia brasileira.


Em 2014, Benjamin Steinbruch (que inclusive é amigo de Ciro Gomes), durante uma entrevista para o portal Uol / Folha de SP , enquanto estava defendendo o fim da pausa para almoço durante a jornada de trabalho, declarou que nos EUA o trabalhador opera a máquina com uma mão e come com a outra, ou seja, um aristocrata, que vive da exploração e da mais-valia de quem realmente trabalha e produz estava clamando para que os trabalhadores passassem a trabalhar e comer ao mesmo tempo sem pausa ou descanso para almoço. Vejam a que ponto chega a crueldade burguesa.


Mais recentemente, já durante a epidemia do vírus Covid-19, Guilherme Benchimol, membro das oligarquias financeiras , dono (em sociedade com o banco Itaú)  da XP investimentos, declarou que o Brasil está indo bem no controle do coronavírus porque pico da doença nas classes altas já passou. Nas palavras dele "o pico da doença já passou quando a gente analisa a classe média alta" (as declarações estão disponíveis na internet no portal Yahoo finanças).

 

Também nesse ano de 2020, o jornal O Globo, porta-voz mor da burguesia brasileira, poucos dias atrás em um mesmo editorial no qual criticava a possibilidade da taxação de grandes fortunas (ou seja, defendendo a manutenção de privilégios de milionários e bilionários brasileiros) exigia a redução salarial de servidores públicos com a desculpa de que estamos em um momento de "ajuste que todos são levados a participar". A cara de pau não tem limites, no mesmo artigo em que afirmam que todos devem participar num esforço de "ajuste", eles defendem que não se exija nenhum centavo do patrimônio do baronato para contribuir com a sociedade, ao mesmo tempo clamam pela redução de salários de trabalhadores do setor publico (lembrando que diversos tipos de profissionais estão na linha de frente do combate ao coronavírus, e a maioria deles no setor público). 

 

A desfaçatez da plutocracia é muito grande e fica evidente com essas declarações. Não há dúvidas que a classe dominante não vai ceder mais nenhum centímetro, não haverá mais concessões por parte da elite burguesa, já não estão mais dispostos em diminuir sua margem de lucros para compartir algumas migalhas, tudo isso já ficou bem claro nos projetos de dinamitação dos direitos trabalhistas e de destruição da previdência social.

 

André Nunes,

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